Bem-vindos à terapia do Futuro acontecendo agora! Multiterapia Legítima By Lou de Olivier
          Técnica Terapêutica registrada sob nº 5.260.568. Todos os direitos reservados. 
   Home      Paixoes obsessivas e crimes passionais
 

Paixões obsessivas e crimes passionais

Parte integrante do livro impresso de Lou de Olivier intitulado "Distúrbios familiares" Proibida a reprodução do texto, porém é permitido repassar este link. 

Muitas pessoas me escrevem perguntando minha opinião sobre casos recentes de homicídios envolvendo paixões e obsessões. Então resolvi escrever este artigo de forma generalizada e, ao final deste artigo, comentarei os casos que estão na mídia como o do goleiro Bruno e da advogada Mercia.

Inicialmente é preciso frisar que quem sente amor (ou mesmo paixão) de verdade, não mata o objeto de sua paixão/amor. O que impulsiona o ato de matar é outro tipo de sentimento que pode ser de posse, ciúme doentio, desprezo, vingança, incapacidade de lidar com frustrações, em alguns casos, arrependimento pelo envolvimento e tantos outros fatores que podem (não deveriam, mas podem) desencadear um crime passional.

Também é preciso frisar que, a principio, qualquer ser humano pode descontrolar-se e cometer um crime, o que difere uma pessoa de outra é o seu auto controle, educação recebida na família, raciocínio equilibrado, e muitos outros fatores inclusive, sua fé em si mesma e sua vivência religiosa, ou seja, até mesmo os valores adquiridos na sua espiritualidade a tornam mais comedida e sensata. Portanto, quem comete um crime seja qual for, já está falho nesses conceitos que citei.

Há ainda um fator pouco explorado e que parece ser a chave para entender a confusão que algumas pessoas fazem com os sentimentos de amor, paixão e ódio. Esta chave está no amor próprio transferido para o amor a dois e, em casos de triangulo amoroso, no amor a três. Tentarei explicar em poucas palavras o que isso significa: Quando crianças, aprendemos (ou deveríamos aprender) a ter amor próprio. Isso nos torna aptos a nos amar, cuidando de nós mesmos com carinho e dedicação. Ao crescermos, aprendemos a dividir este amor próprio com alguém que nos desperte romanticamente. Então, começamos a construir um amor a dois, com respeito pela individualidade (nossa e do nosso parceiro). Quando esta relação se torna falha, ou tentamos consertá-la ou, alguns mais impacientes, procuram uma terceira pessoa.

A descrição acima é a ideal e, na teoria, funciona perfeitamente porém, na pratica as coisas não são tão simples: A começar pelo amor próprio que quase ninguém desenvolve de forma correta e satisfatória, ou vem em excesso causando narcisismo, tornando o individuo extremamente seguro, voltado a si mesmo ou vem em ausência parcial ou total de auto estima o que torna o individuo inseguro e voltado a agradar aos outros. Tanto em excesso quanto em ausência de auto estima o individuo se mostra desequilibrado. E é este desequilíbrio que, se não for bem trabalhado, pode levar o individuo a atos descabidos e até aos crimes que estão diariamente nos noticiários.

Quanto aos motivos que desencadeiam esses crimes, muitas vezes, bárbaros e com requintes de crueldade, são muitos, o mais provável seja uma forma de “revidar” o sofrimento causado pela separação. O abandonado, não aceitando que o seu par não o queira mais e estando em estado de profundo sofrimento, ao invés de lidar com a situação e tentar sair dela, mergulha profundamente nesta dor e quer causar a mesma dor no amante que o abandonou. Isso, na mente doentia do abandonado, justifica cometer um crime cruel que não só tira a vida do ex amante mas o faz sofrer muito antes de morrer.

Um dos motivos que parecem justificar um crime passional é o triangulo amoroso. Esta não deveria ser justificativa mas acaba sendo em muitos casos. Este tipo de paixão, aos olhos do “traído” parece ser o motivo desencadeante para que dê escândalos, passe a perseguir o “traidor” e até cometa um crime tirando a vida do seu ex. Em alguns casos, nem é preciso existir uma traição consumada. Para o “traído” basta perceber que o seu abandonador está se divertindo numa festa ou saindo com amigos ou qualquer ato que demonstre estar bem enquanto o abandonado “sofre tanto”. É esta alegria, este bem estar que o agressor quer matar, ele quer que o ex sofra tanto ou mais do que ele com a separação e, em seu desequilíbrio, pensa que matando o ex, matará a alegria dele.

Bem, faz sentido, matando o ex, certamente morrerá sua alegria e bem estar mas o que o agressor não percebe é que está tirando uma vida e que ele (agressor) sofrerá mais ainda pela perda anterior da relação e agora pelo crime cometido, pelo remorso que passará a sentir e por todas as punições que sofrerá em decorrência de seu ato criminoso.

Apesar deste assunto ser bastante complexo, creio que consegui explicar de forma simples e sucinta o que leva indivíduos a cometerem crimes passionais como este mais recente envolvendo Misael Bispo e sua vitima Mércia Nakashima

Quanto ao crime que repercute a mídia envolvendo o goleiro Bruno e sua vitima Eliza Samudio, vai além de um crime passional, parece ser um crime para livrar-se de uma pessoa que poderia ameaçar sua carreira ou reputação. Fatores citados pela delegada Alessandra Wilke como a passagem do goleiro por um motel de Minas Gerais, juntamente com Eliza, o bebê e outras pessoas, pagando a conta com seu cartão de debito (Bruno), ou seja, deixando rastros. E outros fatores amplamente comentados em jornais escritos e falados, mostram que este crime tem detalhes que fogem totalmente das analises convencionais e não pode ser considerado apenas um crime passional.

Não tenho contato direto com os envolvidos e, repito, escrevo este artigo apenas para esclarecer muitas duvidas que estão me enviando mas, pelo que leio e assisto em noticiários e jornais, o que mais motivou este crime foi a necessidade de calar alguém que estava “atrapalhando” a carreira e reputação do jogador. Pela quantidade de pessoas envolvidas, os detalhes e motivos não param por ai e cabe à policia investigar a fundo. O que posso comentar neste caso é que sirva como alerta pois há outros meios para se buscar o reconhecimento de paternidade e, não querendo justificar o crime, apenas deixo como alerta a qualquer mulher que tenha esta necessidade, que procure os órgãos competentes, procure um bom advogado (existem até serviços gratuitos para quem não pode pagar um advogado) e, certamente, mesmo que morosamente, conseguirá ter seu filho reconhecido. Até porque, se um pai se nega a reconhecer seu filho, dá para prever que não será numa conversa amigável que irá mudar de idéia.

Forçar conversas e atitudes pessoalmente poderá desencadear atitudes violentas como foi neste caso e em tantos outros que, de tempos em tempos, preenchem os noticiários. A pergunta que fica no ar é: Como pode alguém praticar um crime tão cruel, envolvendo tantos cúmplices e ninguém, em nenhum momento, refletir melhor e perceber que, cedo ou tarde, isso viria à tona? Este sim é um assunto que renderá outro profundo artigo que escreverei em breve. Aguardem!

Saiba mais sobre paixões obsessivas, casamento, divorcio, traições, drogas e muitos outros assuntos envolvendo família e relações no meu livro: “Distúrbios Familiares”, autoria: Lou de Olivier, Editora WAK – Rio de Janeiro – RJ.

Lou de Olivier – Psicopedagoga, Psicoterapeuta, Especialista em Medicina Comportamental e Precursora da Multiterapia. Mais informações em http://multiterapia.med.br